:: SERIAL KILLER EM AÇÃO*

 


As vítimas de um serial killer têm o mesmo perfil, a mesma faixa etária, são escolhidas ao acaso e mortas sem razão aparente. Para criminosos desse tipo, as vítimas são objeto da fantasia do assassino. Infelizmente, eles só param de matar presos ou mortos.

No Brasil, a polícia tem um grande preconceito em aceitar a possibilidade de um "serial killer" estar em ação. Isto já aconteceu inúmeras vezes no passado, e as conseqüências são nefastas. Em outros países, com uma análise acurada do motivo ou falta dele, do risco-vítima e risco-assassino, "modus operandi", assinatura do crime e a reconstrução da seqüência de atos cometidos pelo criminoso, serial killers são caçados antes que cometam tantos crimes como Adriano da Silva. Quanto antes se estabelece que um assassino desse tipo está em ação, mais rápido se pode acionar psiquiatras e psicólogos forenses, "profilers" e médicos legistas, que juntos podem fazer um perfil da pessoa procurada. Isto resulta na diminuição do número de suspeitos, no estabelecimento de estratégia de investigação eficiente, na busca de provas, no método de interrogatório do suspeito para adquirir a confissão, além de armar a promotoria com "insight" da motivação do assassino.

No caso de Adriano da Silva, ainda estamos engatinhando. O agressor serial sempre tem um importante aspecto comportamental em seus crimes: ele sempre os assina. A assinatura é única, como uma digital, e está ligada à necessidade psicológica do criminoso. Diferente do modus operandi, a assinatura de um serial killer nunca muda. Ela pode aparecer através de uma ordem específica dos fatos, tipos de amarração da vítima, tipos de ferimentos, disposição peculiar do corpo, comportamento ritual entre outros. Sem estabelecer como Adriano da Silva assinava seus crimes, fica difícil conectá-los ou descartá-los. Dois erros aqui podem ser cometidos: livrá-lo da responsabilidade de algum crime que de fato ele cometeu, ou deixar solto outro assassino de crianças.

A Polícia Civil deveria saber tudo isso? Não, deveria poder contar com a ajuda de órgãos especializados em Ciências Forenses, existentes no Brasil, mas pouco incentivados e divulgados.

Quando lidamos com crimes em série, o trabalho integrado de profissionais forenses deveria ser obrigatório.

Parece "hollywodiano"? Não, nós também temos serial killers. Afinal, a mente humana não obedece à fronteiras geográficas.

por Ilana Casoy


Artigo publicado no Boletim Informativo Nufor (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) - Ano 2 - Número 1


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