Crítica: Uma Noite no Museu 2

Filme repete ideias e aumenta ação para atrair o público

21/05/2009Marcelo Forlani

Uma Noite no Museu 2 (Night at the Museum: Battle of the Smithsonian, 2009) é uma repetição de tudo o que Hollywood vem fazendo atualmente. Pegar um sucesso e correr para estrear a sequência o quanto antes. Repetir o que deu certo. Repetir o que deu certo... e fazer a segunda parte "maior" do que a primeira. Não importa se a "desculpa" para repetir as ideias é furada. O importante é repetir. Ok, acho que já deu para perceber que a palavra-chave aqui é "repetição", certo? Então, se você gostou do primeiro, tem tudo para gostar também do segundo.

Quando nos despedimos de Larry Daley (Ben Stiller), ele havia sobrevivido à sua primeira noite no Museu de História Natural de Nova York. Mas isso agora é passado. Nesses últimos anos, ele largou o emprego de vigia noturno, criou uma empresa e está podre de rico. A ponto de contratar George Foreman para ajudar a vender as suas invenções. E daí vem aquela pergunta: dinheiro traz felicidade? A julgar pela forma como ele continua negligenciando seu filho e como virou escravo do seu smart phone, não.

Ao voltar à "cena do crime", digo, ao museu localizado no Central Park, Larry descobre que seus amigos estão de mudança. O lugar vai ser totalmente reformulado, ganhando peças holográficas e interativas, entre outras melhorias. Assim, todos eles vão ser levados para o arquivo nacional, que fica em Washington, DC. E o que é pior: o antigo artefato egípcio que dava vida às estátuas, maquetes, dioramas e demais objetos vai ficar por lá. Ou seja: é a última noite de "vida" deles.

Mas como não haveria filme se as coisas não se repetissem, aquele macaco que vivia dando tapa na cara do Larry apronta mais uma, e ao cair do sol os objetos do Instituto Smithsonian, complexo que reúne 19 museus, 9 centros de pesquisa, ganham vida. Além de trazer de volta o caubói Jedediah (Owen Wilson) e o líder romano Octavius (Steve Coogan), o filme conta com uma participação menor de Teddy Roosevelt (Robin Williams). Mas o foco está mesmo é nos novos personagens, principalmente na jovem, linda e aventureira Ameria Earhart (Amy Adams), a primeira mulher a sobrevoar o Atlântico, e Kahmunrah (Hank Azaria), que quer dominar o novo mundo e para isso chama seus comparsas: Ivan, o Terrível (Christopher Guest), Napoleão Bonaparte (Alain Chabat) e o jovem Al Capone (Jon Bernthal).

Vale destacar ainda as participações do (mal aproveitado) Rick Gervais mais uma vez como o diretor do museu nova-iorquino, e a ótima cena de Jonah Hill (Superbad) como segurança do Smithsonian. Mas mais uma vez o grande mérito da franquia é mostrar a interação com objetos que geralmente são inanimados, principalmente na parte que é ambientada na National Gallery. Estão reunidos por lá obras de grandes artistas da humanidade, de Rodin a Pollock, do clássico ao moderno, fazendo esculturas de mármore viverem ao lado de balões gigantes e colocando nas paredes fotografias ao lado de quadros.

O problema é que o filme tende a dar uma ênfase maior na história estadunidense - onde os inventores da aviação são os irmãos Wright e não o nosso Santos Dumont. Descontado isso, o filme tem elementos cômicos e aventurescos suficientes para agradar à grande maioria do público brasileiro, que gosta de uma boa fórmula. Mas precisava seguir tão à risca a ideia de repetir e aumentar a ponto de colocar em cena dessa vez DOIS macacos batendo na cara do Ben Stiller?